por Tody Macedo

Inverno a Primavera

Tenho passado meu inverno longe do verão… As brisas me sopram para perto do outono, geando perto do coração, clareando de branco assim em quase inverno…

Eu sei que as flores já perfumam os ares, mas ainda não vejo suas cores. O céu cinzento, sem raios, nem de luz a saciar meus olhos e nem de gotas a saciar minha sede. Não toco a terra, não toco o céu. A brisa me toca e como sempre se torna impossível sair daqui sem lembrar-se de seu suave frescor no rosto.  Essa brisa ao sussurrar-me aprofunda-me no meu desconhecido, nos sentimentos, no meu caminho além das montanhas… Tão leve que não movem as flores, permitindo um beijo dos insetos.

Não vejo o sol de baixo dos pés… Não vejo as gotas da chuva a cair no céu… Palavras que sonham, que choram se queimando numa insensatez de caminhar em estrada estreita. Palavras que calam esperando que o sol não se esconda tanto. Não seria pra voltar mais com fragor…

E agora? Por que tão cinza? As flores ainda não murcharam e parece que as folhas começam a cair. Será um abandono dos destinos? A brisa leva leve e solta… carrega em si o sussurro da alma, que pinta de vermelho o céu, me faz de mocinho e de réu me condena a morte lenta.

Congela, minh’alma, sua essência sua cor, vermelho de ardor, que queima os olhos, me rasga a palma, dedos e peito… toque nesse frio primaveril, de verso sutil solto pelo ar. É a melodia que abarca no frescor das ondas, maré despertando os sonhos. E se ferir, a neve alivia nesta estrada que se cria nesta mania de amar demais.