por Tody Macedo

Estou amando a capacidade que temos de nos moldar conforme o tempo passa. Aprendemos com o passado que passa sem perceber que o que fica não é nada daquilo que ele realmente nos oferece. O que ficou em mim não passa de fragmentos de areia.

Os momentos bons eu faço questão de colorir e guardar em potes em meu olhar. Encanta-me o sorriso estampado pelas cores de tudo construído através das lacunas do tempo. Não corremos juntos, eu tenho meu próprio ritmo, eu tenho minha própria maneira. Eu e o tempo sempre trocamos olhares através do espelho, esperando que o vermelho do sangue escorra igual lágrimas de crocodilo.

Até pensei que a ampulheta estivesse do meu lado. Mas guardada na gaveta me permitiu voar entre novos planetas. Entre a via, entre aqui no meu espaço sem face, sem careta, sem máscaras me mostre as facetas que o destino preparou…

Restou-me os maus, de agrados longe da minha mão. Senti-me agredido nas areias, num pó. Senti expressão escondida, poeira de um só. Falta-me bater o solado pra banir a imundície. Pois é, no meu quintal há flores, cascatas e coisa e tal. O tempo revelou-me que para continuar basta uma revelia. Abandonar não é fácil, mas não jogo a areia fora, pois chega uma hora que temos que construir um barraco e nessa areia do tempo que a todo instante invento faço minha tapera que me cabe e antes que desabe, moldo as paredes reforçando meu eu naquilo que não me serve mais.