por Tody Macedo

É engraçado como ficar acordado até tarde faz coisa na cabeça da pessoa. Surgiu uma pergunta: qual é o meu tamanho? Eu sei que os meus sonhos são do tamanho do meu quintal, ou seja, do tamanho do mundo.

Eu sou o tipo do homem que sempre tive medo. Muitas vezes ele me venceu e por causa dele eu até fiquei inerte. Mas muito mais do que ficar parado olhando, eu arrisquei. As memórias estão cheias de filmes. Até penso em fazer uma trilogia. Mas seria sem graça, algumas das atrizes já morreram e eu não quero que os telespectadores sejam bombardiados com cenas de improvisação, já basta o meu ato de improviso diário.

Eu não queria conhecer o tamanho do mundo, mas confesso que não tenho escolha. Se eu pudesse voltar atrás, decidir deixar meu quintal se transformar em uma pequena varanda, com uma rede preguiçosa, com um vinho bom, solitário a embalar ao som da brisa… mas não… meu mundo nunca foi do tamanho “p” igual de roupas. Meu quintal nunca coube dentro do meu peito. E eu com a minha mania de expandir através da arte.

Mas qual é o tamanho do ser humano? É o tamanho que ele se mostra? É o tamanho que eu vejo? Ou um tamanho recôndito, feito como quando se chora na margem do rio, pedindo pra ser levado embora, esperando expandir-se até a outra margem, permanecendo a margem de si?

Qual é o meu tamanho?

Eu já esperei olhar do alto da montanha, através do horizonte, pra ver se lá de fora dava pra sentir o grão de água a tocar o tamanho de alguém. Mas nem o sol deu-me solução. E no horizonte dissipou-se meu olhar encontrando uma linha que demarca o meu quintal. E o meu tamanho ficou sem limites…