por Tody Macedo

Sempre tarde… não às vezes tarde!
Podia pegar o tempo, que nem sempre tem tempo pra mim, e ao dissuadi-lo, veríamos o sol se por sem mais delongas.
E se o tempo fosse meu amigo não ressoaria o vento gélido em minha face a inebriar-me como em mais um dia de resquício solar. Antes fosse o tempo amigo da memória e da lembrança e não apagasse de mim o que quero perder: Memória de criança que um dia eu vi crescer.
Um tempo menino que se viu passar com os segundos a entrecortar a linha do vento feito veneno nas veias a caçoar do destino. Um tempo menino que não passa feito criança porque cresceu e alça voos num pêgasu sem limites no céu.
Eis um tempo que trabalhou, ceifou, colheu… eis o tempo que se perdeu nas covas da vida plantada. E em sementes o tempo escorre entre os dedos… em tempos de medos… sem mais enredos… que se choca contra os rochedos da sensatez. 
Foi o tempo que me deixou velho, sem reconhecer-me entre os anéis de Saturno. Ele está mudo e calado, sussurra com voz entrecortada de solussos. Que ao se por nos braços do sol dorme… 
Ainda tem tempo pra correr nas ruelas das estrelas… Ligar a Via Lactea a outro tempo…
Um tempo que não tem espaço, e um espaço que não tem tempo.